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Atraso ameaça planos para os transportes durante a Copa

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Conforme previa a matriz de responsabilidade de 13 de janeiro de 2010, documento assinado como compromisso dos governos municipais, estaduais e federal, após anúncio das 12 cidades-sede, as obras de mobilidade urbana tinham previsão para começar ainda em 2010 e a maior parte terminaria até dezembro deste ano, com algumas sendo concluídas no primeiro semestre de 2013.

Mesmo com regime diferenciado de contratação, que garante maior celeridade aos processos de licitação, o prazo de dois anos para término das obras não se mostrou suficiente. A maior parte delas está atrasada, algumas foram descartadas para a Copa e outra parte começou a ser executada fora do prazo inicial e só será concluída depois de julho de 2014.

Em relação aos estádios, alguns atrasos também estão confirmados. No fim de 2011, o Ministério do Esporte previa que, até dezembro deste ano, nove estádios seriam entregues. No entanto, apenas dois estão prontos: Castelão, em Fortaleza, e Mineirão, em Belo Horizonte. Atrasos de um ano para outro também foram verificados em obras de aeroportos e portos, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU).

Para os estádios de Manaus, Recife, Brasília, Rio e Salvador, a previsão é que as obras estejam concluídas até o fim do primeiro semestre de 2013. Os casos mais complicados estão em Natal, que até outubro só tinha avançado 39% nas obras, Porto Alegre e Curitiba. Nas últimas duas cidades, os trabalhos de reforma têm pouco mais de 50% do cronograma cumprido.

A Arena da Floresta, em Cuiabá, é uma das que apresentam maior defasagem entre o previsto e o concretizado. No site do Ministério do Esporte, a previsão de entrega continua fixada para dezembro de 2012, mas o texto sobre o andamento da obra aponta para apenas 50,3% dos trabalhos concluídos.

A estimativa de gastos nos 12 estádios aumentou cerca de R$ 900 milhões de um ano para o outro, e agora está em R$ 7,5 bilhões. Em um ano, a arena Mané Garrincha, em Brasília, teve o custo estimado elevado em 21%. Hoje, a obra está orçada em R$ 812 milhões. Cuiabá, por outro lado, teve o preço reduzido de R$ 596 milhões para R$ 518 milhões. O Itaquerão, em São Paulo, com 60% das obras prontas continua com estimativa de entrega para o fim de 2013.

A maior dificuldade para cumprir os prazos inicialmente previstos nos projetos de mobilidade, de acordo com as secretarias municipais e estaduais envolvidas nas obras que foram ouvidas pelo Valor, foi a falta de projeto executivo. Com elaboração dos projetos, a matriz começou a ser revisada em 2011, aumentando o prazo para término dos projetos e substituindo algumas obras por outras.

Ao todo, a matriz de responsabilidades lista 50 obras de mobilidade nas 12 cidades-sede, com orçamento estimado em R$ 11,48 bilhões. Manaus, São Paulo e Brasília, no entanto, já assumiram que não conseguirão terminar as grandes obras de mobilidade previstas.

Em Manaus, o monotrilho que ligaria a região norte ao centro da cidade foi retirado da matriz da Copa. A obra estava orçada em R$ 1,3 bilhão e deveria ter começado em março de 2010, com conclusão em dezembro de 2013, mas não saiu do papel. A capital do Amazonas teve outra obra retirada dos compromissos fixados para o mundial, a do BRT [Bus Rapid Transit, em inglês], que custaria R$ 290 milhões e também não começou, de acordo com o TCU. As duas obras serão executadas agora com verba do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) e devem ficar prontas até o fim de 2015.

Em Brasília, o veículo leve sobre trilhos (VLT), que iria ligar o aeroporto e o terminal da Asa Sul, também foi excluída da matriz de responsabilidades. O projeto teria custo de R$ 270 milhões foi alvo de questionamento judicial. As obras estavam previstas para terminar em março de 2012 e depois janeiro de 2014, mas nunca começaram.

Na capital federal, as intervenções para a Copa, que chegariam a R$ 1,8 bilhão, agora ficarão em torno de R$ 1,6 bilhão. Além disso, ampliação da rodovia DF-047, com investimento de R$ 103 milhões, prevista para começar em agosto de 2012, ainda não foi iniciada.

Em São Paulo, a construção do monotrilho, que vai ligar o Aeroporto de Congonhas ao bairro do Morumbi, com custo estimado de R$ 2,8 bilhões, estava prevista para começar em julho de 2010 e terminar em março de 2013, mas os atrasos fizeram com que a obra fosse retirada da matriz da Copa. Agora será executada apenas pelo governo de São Paulo e está prevista para o fim de 2014.

Em Cuiabá, o projeto de VLT terá que ganhar fôlego nos próximos meses para conseguir ficar pronto até julho de 2014. Depois de ser suspensa pela Justiça, a previsão de término da obra é 31 de março de 2014. O VLT vai ligar o aeroporto de Várzea Grande ao bairro do CPA, na zona sul da cidade. A outra linha vai do bairro do Coxipó, na zona oeste, ao centro. A obra vai custar R$ 1,4 bilhão e ainda precisa vencer um complicado processo de desapropriação de comerciantes em área do centro da cidade.

Em agosto, o projeto foi questionado pela Justiça, que identificou “uma série de irregularidades” -desde a escolha do modal de transporte urbano até o estudo de viabilidade adequado. A ligação inicialmente seria feita por BRT e custaria R$ 323,8 milhões. Segundo a primeira matriz de responsabilidade, o projeto deveria ter sido entregue em dezembro de 2011.

Em Salvador, o BRT previsto para garantir o acesso do estádio ao aeroporto, foi substituído por metrô e retirado da matriz da Copa. O BRT custaria R$ 567,7 milhões e seria entregue em agosto deste ano. Já o projeto de metrô deve sair por R$ 3,5 bilhões e estará apenas parcialmente pronto em 2014. De acordo com a Secretaria Estadual para Assuntos da Copa, a extensão da linha 1 será entregue até o mundial, mas o acesso do aeroporto à região norte de Salvador, que seria garantido pela linha 2, não ficará pronto a tempo.

Não há nenhuma nova obra de transporte público de massa prevista em Natal. A cidade, que se comprometeu com a abertura de duas novas avenidas, adiou o prazo de entrega de dezembro deste ano para março de 2014.

Em Recife, parte do complexo viário norte-sul, previsto para a Copa, só fica pronto em 2015. No Sul, as obras de três corredores de ônibus e do BRT de Curitiba só começam o ano que vem e devem terminar em maio de 2014. Em Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza e Rio, os projetos para Copa sofrerão atraso de um ano em relação ao prazo inicial, mas os governos garantem que as principais obras de mobilidade ficam prontas até julho de 2014.

Por Guilherme Soares Dias e Rodrigo Pedroso | De São Paulo

 

Origem: Valor Econômico

Procedência: http://www.valor.com.br/brasil/2950342/atraso-ameaca-planos-para-os-transportes-durante-copa#ixzz2G9fV5Fj6

Written by goppp

26/12/2012 às 09:11

Publicado em Valor Econômico

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