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Debênture sem IR da Raposo Tavares atrai capital externo

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Dois anos após o governo isentar o capital externo em títulos privados destinados a financiar projetos de infraestrutura, a Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart) realizou a primeira captação que contou com recursos de estrangeiros. A companhia fechou na semana passada uma emissão de debêntures de R$ 750 milhões com prazo de 12 anos.

As debêntures incentivadas contam com alíquota zero de imposto de renda (IR) e do imposto sobre operações financeiras (IOF) para estrangeiros. O benefício fiscal também é válido para pessoas físicas no Brasil em debêntures de projetos considerados prioritários pelo governo.

A demanda pela emissão da Cart superou a oferta em três vezes, conforme antecipou na quarta-feira o Valor Pro, serviço de informações em tempo real do Valor. Os investidores foram informados sobre a taxa de juros na sexta-feira.

A emissão foi realizada em duas séries: na primeira, que conta com incentivo fiscal, a taxa ficou em 5,80% ao ano mais a correção da inflação medida pelo IPCA. A segunda série, que não possui benefício fiscal, renderá IPCA mais 6,05% ao ano. Em ambos os casos, a remuneração ficará bem abaixo do teto estipulado pela companhia, que era 8% ao ano além da inflação.

A concessionária Raposo Tavares administra um trecho de 444 quilômetros de rodovias no Estado de São Paulo. A companhia é controlada pela Invepar, empresa do grupo OAS em sociedade com os três maiores fundos de pensão do país: Previ (Banco do Brasil), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa).

Os recursos captados pela companhia serão usados para resgatar uma emissão anterior de debêntures e para investimentos nas rodovias que compõem o chamado corredor Raposo Tavares. O Bradesco BBI foi o coordenador líder da emissão. O banco atuou ao lado de Banco Votorantim, BB Investimentos e HSBC.

A emissão da Cart foi a primeira a testar o apetite do investidor estrangeiro desde a tentativa frustrada da Rodovias do Tietê, em maio passado. Na época, o fracasso na operação foi creditado a uma série de incertezas na legislação, que já foram corrigidas pelo governo.

Para evitar que o problema se repetisse, a emissão da Cart procurou atender a alguns dos requisitos dos investidores estrangeiros. Um deles foi a contratação de duas classificações de risco, como ocorre nas captações no mercado externo. A agência Moody’s atribuiu nota “A1.br” para a operação e a Standard & Poor’s, “A+” – na escala das agências, as duas avaliações são equivalentes.

A Cart também decidiu contratar o Banco Votorantim para atuar como formador de mercado, responsável por estimular os negócios com os títulos no mercado secundário. A falta de liquidez dos papéis é apontada como um dos fatores que afastam o investidor estrangeiro. No exterior, os títulos de crédito de empresas são amplamente negociados. Já no Brasil os investidores costumam carregá-los até o vencimento.

A expectativa é que a operação da Raposo Tavares abra caminho para outros projetos captarem recursos no mercado de capitais com o uso de debêntures incentivadas. Um dos objetivos do governo ao conceder o benefício fiscal é estimular alternativas para o financiamento de longo prazo da economia brasileira e desafogar o BNDES, que hoje cumpre esse papel praticamente sozinho.

Por Vinícius Pinheiro | De São Paulo

Origem: Valor Econômico
Procedência: http://www.valor.com.br/financas/2941898/debenture-sem-ir-da-raposo-tavares-atrai-capital-externo#ixzz2FJ9jqnps

Written by goppp

17/12/2012 às 09:33

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