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BB rejeita financiar Odebrecht no Itaquerão

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Tentativas de negociação não faltaram, mas depois de meses de discussão, o Banco do Brasil (BB) decidiu negar a proposta de garantia apresentada pela Construtora Norberto Odebrecht (CNO), pela qual o banco intermediaria o financiamento de R$ 400 milhões que seria dado à empreiteira pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O recurso seria usado pela Odebrecht nas obras da Arena Corinthians, também chamada de Itaquerão, que abrirá os jogos da Copa do Mundo de 2014.

Incertezas quanto à proposta de garantia elaborada pela Odebrecht levaram o BB a recusar a operação de financiamento, um processo desgastante que se arrastou por meses e que chegou a envolver diretamente a atuação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda Guido Mantega.

Mesmo após a decisão do BB, a Odebrecht diz acreditar numa última possibilidade de rever a situação e chegar a um acordo definitivo com o banco, sob risco de ter que recorrer à emissão de debêntures para financiar as obras para o estádio do clube paulista.

As dificuldades em torno do financiamento devem-se ao não atendimento, pela construtora, das condições adotadas pelo BB, que exigiu da Odebrecht a garantia de parte de seus ativos (com valor equivalente ao empréstimo que será tomado) para ter acesso ao financiamento. Os bens da empresa serviriam como garantia de execução, em caso de inadimplência. A construtora, no entanto, resiste em submeter seus ativos como garantia de financiamento da arena, porque nunca teria atuado como avalista de nenhum empreendimento em que ele figure como mero prestador de serviço.

Ontem, conforme apurou o Valor, a Odebrecht fez uma nova tentativa de negociação e enviou um pedido ao BB, para que o prazo do programa ProCopa Arenas, do BNDES, fosse prorrogado. Pelo cronograma, a linha de financiamento do banco público acaba no dia 31 de dezembro. O governo avalia a possibilidade de estender o prazo por mais 180 dias.

Apesar de o BB estar decidido de que não irá mudar suas condições sobre a garantia do financiamento, a construtora informou, por meio de nota, que “prosseguem as negociações” com o Banco do Brasil. “A demora na liberação do empréstimo de R$ 400 milhões pelo BB deve-se a questões referentes ao pacote de garantias exigidas para o financiamento ao Fundo de Investimento Imobiliário (FII), detentor dos direitos da Arena Corinthians. Mas as conversas sobre este tema seguem em andamento”, informou a empresa.

A proposta de garantia feita pela Odebrecht se apoia na formalização de um “equity support agreement”, um tipo de acordo em que os bens da construtora não seriam usados como garantia, mas, sim, as receitas a serem geradas a partir do início de funcionamento da arena. As receitas viriam de fontes como a venda de camarotes corporativos, os patrocínios e o chamado “naming right” (batismo do estádio). Para o Banco do Brasil, o modelo não reflete uma garantia real porque não cobre adequadamente o risco do financiamento.

O clube Corinthians acompanha as negociações de perto, mas sem qualquer tipo de intervenção, já que não tem nenhuma relação com o acordo ou tipo de financiamento que a construtora fará para cumprir seu cronograma e entregar a arena dentro do prazo.

Orçado em R$ 820 milhões, o Itaquerão já atingiu 54,88% de sua execução. Ao todo, 2.200 funcionários atuam no canteiro de obras localizado na Zona Leste de São Paulo. As obras, que começaram em maio de 2011, têm previsão de serem concluídas até dezembro de 2013. A possibilidade de atraso ou paralisação dos trabalhos é afastada pelo clube e pela construtora.

Longe das discussões sobre garantias e empréstimos, o Corinthians venceu ontem o duelo contra o Al Ahly, pelo Mundial de Clubes que acontece no Japão. Paolo Guerrero marcou o gol da vitória que despachou, por 1 a 0, o atual campeão africano. No próximo domingo, o Corinthians encara a final do torneio, com expectativa de garantir o bicampeonato. O clube foi campeão na primeira edição do Mundial organizada pela Fifa, em 2000.

Por André Borges | De Brasília

Origem: Valor Econômico

Procedência: http://www.valor.com.br/empresas/2938426/bb-rejeita-financiar-odebrecht-no-itaquerao#ixzz2ExfDR5mD

Written by goppp

13/12/2012 às 17:23

Publicado em Valor Econômico

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