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Elétricas perdem 40% de seu valor

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As empresas mais afetadas pelo plano de redução das tarifas de energia do governo saíram 40% menores do furacão causado pela Medida Provisória (MP) 579. A perda de valor de mercado de Eletrobras, Cesp, Companhia de Transmissão Paulista (Cteep), Cemig, Copel e Celesc foi de R$ 34,6 bilhões. No fim de agosto, antes do anúncio oficial das medidas, as seis companhias valiam, juntas, R$ 84,6 bilhões. No fechamento da bolsa de terça-feira, quando terminou o prazo para a assinatura dos contratos, a soma era de R$ 50 bilhões.

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Considerando as estimativas de analistas de mercado, o patamar mais baixo de preços veio para ficar – ao menos, com as informações que se tem disponíveis até o momento. No caso da Eletrobras, o mercado avalia que o tombo de 50% no valor pode ser ainda maior. A estimativa mais otimista para o preço-alvo das ações preferenciais, do Itaú BBA, aponta para R$ 8 – abaixo da cotação de fechamento de ontem, de R$ 9,15. Os analistas são unânimes em recomendar a venda dos papéis.

No caso da Cesp, o cálculo do preço-justo para os papéis preferenciais classe B varia de R$ 18 a R$ 22,50 por ação, próximo do atual valor em bolsa, de R$ 18,69. Já para Cemig e Cteep, há quem julgue que o castigo foi um tanto exagerado e que as ações oferecem potencial de alta de torno dos 20%. Copel e Celesc, com menos liquidez em bolsa, não são acompanhadas tão de perto pelas instituições financeiras.

A definição do novo valor justo das companhias afetadas, no entanto, ainda é cercada de inúmeras incertezas. Com a MP 579, no setor, antes conhecido como uma alternativa de investimento conservadora e previsível, volatilidade é o novo nome do jogo.

A primeira incerteza diz respeito ao trâmite da MP 579 no Congresso. A bancada governista já sinalizou que vai trabalhar duro para que não haja alterações, mas a chance de haver mudanças de última hora não é desprezível.

Além disso, a judicialização das decisões adiciona mais uma pitada de nebulosidade ao cenário. “O próximo passo para as companhias na busca de seus direitos será o ambiente judicial. Dessa maneira, o processo de renovação poderá ser adiado novamente”, avaliam os analistas Marcio Loureiro e Bruno Santos, da Votorantim Corretora.

A Celesc, que se recusou a renovar concessões de geração, já recebeu uma liminar da Justiça Federal de Santa Catarina, alegando que o tempo dado para que a empresa tomasse a decisão não foi suficiente. A Cesp afirmou que vai entrar na Justiça para garantir uma indenização maior pelos ativos que terá de devolver ao governo. Na mesma linha, a Cemig entrará com processo para manter as usinas de São Simão, Jaguará e Miranda por mais 30 anos – a empresa alega que teria direito a uma renovação automática desses ativos já prevista em contrato. (ver reportagem abaixo)

As dúvidas não são menores para os ativos de transmissão que foram renovadas. Nesse caso, ainda não se conhece o valor exato da indenização que será paga pelos ativos anteriores a 2000, fator que foi crucial para que as transmissoras topassem antecipar a renovação dos contratos por um teto tarifário até 70% menor.

No caso da Cteep, o mercado trabalha com a hipótese de que a companhia receberia R$ 3 bilhões. Para Eletrobras, a previsão é de cerca R$ 6 bilhões. O que se sabe é que o reembolso será feito ao longo dos 30 anos de concessão, mas a correção desse preço ainda não foi informada.

Em teleconferência, a Cteep afirmou que o Planalto teria indicado que as parcelas seriam corrigidas pelo IPCA mais uma taxa de juros de 4% ao ano. Nesse caso, avalia o Credit Suisse, o preço-alvo de R$ 33 estimado para as ações da companhia ao fim de 2013 poderia aumentar em R$ 4.

Mas, após a surpresa com as condições austeras impostas pelo governo para a renovação, os analistas tem optado pelo conservadorismo. Em suas análises, o Credit optou por considerar apenas o IPCA e não incluir a taxa de remuneração anual no preço estimado para as ações, até que haja uma posição oficial do governo.

Outro ponto sensível para as companhias que optaram pela renovação das concessões diz respeito à forma como os novos investimentos serão remunerados, afirma o Credit. De acordo com o banco, as indicações do governo federal são de que todos os novos aportes nos ativos cujas concessões foram renovadas serão remunerados ao longo dos ciclos tarifários de cinco anos, que começaram a contar a partir de 2013. Mas ainda não se sabe como essa remuneração vai acontecer.

“Destacamos que esse ponto pode ser uma grande oportunidade de criação de valor para as empresas que decidiram renovar, quando – e se – essas remunerações passarem a se refletir sobre as receitas”, pontuou o analista Vinícius Canheu em relatório.

Por Natalia Viri e Fernando Torres | De São Paulo

Decisão de estatais de rejeitar revisão de contratos não terá impacto na inflação

A decisão das estatais Cesp, Cemig e Copel de rejeitar a renovação das concessões na área de geração pode anular uma pequena parte do alívio esperado nas contas de energia elétrica, segundo economistas, mas não é motivo para revisões em estimativas para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2013. Desde o anúncio do corte nas tarifas, analistas já previam reajustes periódicos de empresas do setor em seus preços, que acabariam por mitigar parte das desonerações. Além disso, há a percepção de que boa parcela da queda de 16% para o consumidor residencial está garantida pelo governo.

“Uma coisa é o preço final cair com reduções de encargos, outra é os reajustes que essas companhias fazem em suas tarifas”, diz Fabio Romão, da LCA Consultores, que lembra os aumentos anuais nos preços de energia para compensar a inflação, variações cambiais, gastos com termelétricas e outros fatores. Levando em conta esse impacto de alta, Romão calculou inicialmente que a diminuição final nas tarifas residenciais seria de 12,6%. Com as três estatais fora das novas regras, estima o economista, o corte para consumidores de baixa tensão será pouco menor que o antecipado, de 11,6%.

Essa mudança praticamente não fez diferença no cálculo da consultoria para o IPCA, já que o efeito direto das tarifas menores na inflação passou de menos 0,55 ponto percentual para menos 0,51 ponto. Assim, aponta Romão, a projeção da LCA para o aumento do indicador oficial de inflação em 2013 sofreu um ligeiro ajuste apenas na segunda casa decimal, e segue em 5,2%.

Tatiana Pinheiro, do Santander, avalia que cerca de 70% das concessões envolvidas na Medida Provisória 579 pertencem à Eletrobras, o que já garante corte de 14% nos preços finais ao consumidor. “Mesmo assim, ainda não está completamente descartado que os 16% sejam atingidos”, diz Tatiana.

Avaliando como cenário mais provável que o índice de redução residencial com a nova medida fique em 14%, a analista do Santander manteve em 6% sua estimativa para a elevação do IPCA no ano que vem, previsão que conta com impacto de baixa de 0,37 ponto percentual do item energia elétrica. “Sempre houve o risco de parte das empresas não aceitarem os termos para a renovação de concessões”, diz. Como o reajuste anual das companhias elétricas deve ser positivo em 2013, Tatiana usou em seu cálculo para a inflação uma queda final de 10% nas tarifas.

Bruno Surano, da Votorantim Corretora, também preferiu não alterar sua previsão de 5,3% para a alta do IPCA no próximo ano. No começo de setembro, quando os percentuais de corte nas tarifas foram divulgados, Surano incorporou em sua estimativa para a inflação uma redução de 8,5% nas contas de energia, previsão que, após os anúncios de não renovação, segue considerando “razoável”.

Surano explica que, naquela ocasião, já antevia que algumas empresas não aceitariam as condições impostas pelo governo e, por isso, a redução de 16% após o fim da cobrança de alguns encargos nas contas de luz ficaria bem menor, em 11,5%. Junto a essa hipótese, o economista considerou os aumentos de tarifas que as companhias fazem anualmente, o que resultou em recuo final de 8,5% nos preços de energia residencial.

Por enquanto, a MB Associados vai manter sua projeção de alta de 5,4% para o IPCA de 2013, segundo Sérgio Vale, economista-chefe da consultoria. Ele diz que a possibilidade de reajuste da gasolina e a trajetória dos alimentos são elementos de incerteza em 2013 e, por isso, podem acabar “completando” a ajuda que era esperada na parte de energia.

Por Arícia Martins | De São Paulo

Origem: Valor Econômico

Procedência: http://www.valor.com.br/empresas/2930152/eletricas-perdem-40-de-seu-valor#ixzz2EGU5lVwY

http://www.valor.com.br/brasil/2930290/decisao-de-estatais-de-rejeitar-revisao-de-contratos-nao-tera-impacto-na-inflacao#ixzz2EGVezeYa

Written by goppp

06/12/2012 às 08:12

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