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Pacote elétrico impôs a fundos perdas de até 17%

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A queda das companhias de energia na bolsa provocou estragos nos fundos de ações. Desde o anúncio do pacote elétrico, há cerca de dois meses, que aumentou a aversão a empresas sujeitas a interferências do governo, as perdas em algumas carteiras superam os 17%, enquanto o principal índice da bolsa, o Ibovespa, recua cerca de 5,3%.

Levantamento realizado pelo economista Marcelo d’Agosto, do blog “O Consultor Financeiro”, no portal do Valor, mostra que 17 dos 20 fundos de ações com o maior prejuízo desde 11 de setembro – dia em que foram detalhadas as condições para a renovação das concessões – são setoriais de energia e de Petrobras, geridos por grandes bancos. O estudo considerou todas as categorias de fundos de ações com patrimônio superior a R$ 10 milhões, mais de dez cotistas e acessíveis a todo tipo de investidor.

Assim como ocorreu com as elétricas, Petrobras é outro papel que vem sofrendo há algum tempo com a percepção de piora do risco político. Como a empresa tem peso maior no índice e está muito presente nas carteiras, as perdas se tornam mais perceptíveis quando se observa o universo da indústria de fundos.

No topo da lista de maiores perdas aparece o Clic FIA, com patrimônio de R$ 14 milhões e queda de 17,86% desde o anúncio do pacote até quarta-feira – último dado disponível para os fundos de ações. Os 6 mil cotistas da carteira são funcionários atuais e aposentados da Cemig. E o regulamento determina que pelo menos 51% dos recursos sejam aplicados em papéis da companhia mineira. Do dia 11 de setembro até a última quarta-feira (21), as ações ordinárias (ON, com direito a voto) da Cemig caíram 27% e as preferenciais (PN, sem voto), 35%.

Já a queda de Eletrobras, que só em novembro supera os 52%, não parece ter tido impacto tão forte sobre os fundos. Dados da estrutura de acionistas da empresa e das últimas atas de assembleia mostram que, depois do governo (União e BNDES), os investidores estrangeiros detêm a maior participação, com 22,3% do capital total e 52,9% das ações preferenciais. Segundo o formulário de referência, há ainda cerca de 13 mil pessoas físicas na base da Eletrobras.

A Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec) está convocando o mercado a participar das assembleias das elétricas que tratarem das concessões, dada a gravidade do tema. Nos dias 30 e 3 há encontros de empresas relevantes do setor.

Por Alessandra Bellotto, Luciana Seabra e Graziella Valenti | De São Paulo

Sem energia

Momentos de incerteza como o atual mostram que concentrar os investimentos em setores ou empresas específicas é um risco real. Desde o anúncio pelo governo do pacote de energia, há cerca de dois meses – que levou ações de elétricas a amargarem quedas no ano que superam os 60% em alguns casos -, carteiras setoriais de energia estão entre as maiores perdas no universo dos fundos de ações (de até 17%), segundo levantamento do economista Marcelo d’Agosto, do blog “O Consultor Financeiro”.

Este ano, até o dia 16 de novembro, os fundos setoriais foram os que mais perderam entre todas as categorias apuradas pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A queda foi de 4,34%, na média, superior ao recuo de 2,38% do Ibovespa no período.

 

As carteiras de Petrobras também são presença maciça na lista de perdedores. Como a empresa tem um peso importante no índice e concentra um número grande de fundos, muitos formados no início da década passada para participar da oferta de ações da companhia com recursos do FGTS, as perdas se tornam mais evidentes quando se observa o universo dos fundos.

As ações da estatal do petróleo vêm sofrendo com o risco político já há algum tempo, mas os resultados ruins da companhia, especialmente no segundo trimestre, evidenciaram, na visão do mercado, o efeito da mão forte do governo. A Petrobras pena com a defasagem nos preços dos combustíveis e a falta de previsibilidade sobre o plano de investimentos, entre outros fatores. Desde o início do ano, as ações PN da companhia recuam 8,58%, enquanto o Ibovespa sobe 1,44%. Para o investidor, especialmente o estrangeiro, fica a leitura de que não dá para entrar em empresas sujeitas à interferência do governo, diz um gestor de fundos.

Nas carteiras setoriais, contudo, a margem de manobra é pequena. No caso de fundos de Petrobras, não há como o gestor se movimentar, ressalta Carlos Massaru Takahashi, presidente da BB DTVM.

“Não oferecemos fundos setoriais para não amarrar o gestor”, diz Mario Felisberto, diretor de investimentos HSBC Global Asset. O fundo de Petrobras é exceção por conta da forte demanda do investidor na ocasião da oferta.

Para Takahashi, os fundos setoriais têm uma vantagem em relação à compra direta de ações, porque permitem uma diversificação quando há boas perspectivas para um segmento. “Mas a alocação tem que ser diversificada. Não dá para apostar em um único setor.”

Por Alessandra Belloto e Luciana Seabra | De São Paulo

Entre a oportunidade e a aversão total ao risco

Hora de vender ou de comprar ações de elétricas? É essa dúvida que atormenta os gestores de fundos desde que o governo anunciou o pacote para reduzir os custos com energia. Existe um grande temor por conta das imensas incertezas que pairam sobre o setor, mas há também um desejo de ir contra o movimento de manada do mercado e aproveitar ‘pechinchas’ no setor. E alguns gestores já fizeram isso, vendo oportunidades em papéis cujas quedas passaram, em alguns casos, de 50%.

Foi o caso da Studio Investimentos. “Os preços caíram tanto que compramos pelo menos dois papéis que foram afetados”, diz Gabriel Stoliar, sócio da gestora. Ele prefere não informar quais são as empresas. Segundo Stoliar, ainda é difícil avaliar o impacto do pacote sobre os resultados financeiros das elétricas. “Cada um faz essa conta.”

Na visão de Mario Campos, sócio da Vinci Partners responsável pela área de renda variável, a incerteza no setor elétrico fez com que algumas ações ficassem “extremamente baratas”. “Tem empresas que estão de graça, especialmente se não renovarem as concessões [nos termos oferecidos pelo governo]”, diz. Entre as oportunidades, ele destaca ações da Cemig e da Transmissão Paulista.

A Bogari Capital foi outra que aproveitou a queda para comprar papéis da Cemig e da Copel, conta o sócio Flavio Sznajder. Em carta enviada a cotistas, a gestora ressaltou que “o discurso foi pior do que será a realidade”, uma vez que o texto da Medida de Provisório (MP) relativa ao pacote é “mais flexível”. “O mais provável é que ao longo do tempo chegue-se a um termo comum, tornando o negócio marginalmente atrativo para as atuais concessionárias”, destaca.

Para Carlos Massaru Takahashi, presidente da BB DTVM, ainda não é o momento de fazer uma realocação mais agressiva. “Vamos esperar”, afirma. O fundo setorial de energia da casa está entre as carteiras que mais perderam desde o anúncio do pacote em setembro. “Nós fizemos pequenos ajustes, mas mantivemos a lógica do portfólio, de não concentração”, diz.

O presidente da BB DTVM até considera que a cadeia de negócios de energia não foi afetada de forma igual. E que os impactos podem ser menores para as concessões mais novas, que ainda demoram a vencer. Preferiu, entretanto, não se movimentar muito. “Se eu vejo um cenário imediato e migro de forma intensa, de geradoras para distribuidoras, por exemplo, posso cometer o erro de sair na hora em que estão no patamar mais baixo”, diz.

As carteiras de dividendos, com foco em empresas maduras que já distribuem altos proventos, também dificilmente se livrarão das ações de energia. Quando se coloca o filtro de um retorno mínimo com dividendo, o gestor acaba sendo forçado a ter alguma alocação no setor, apesar da visão negativa, pondera o executivo de uma gestora. E para as empresas que não renovarem as concessões, que vencem entre 2015 e 2017, o retorno com dividendo tende a ser mantido até o fim do prazo.

Não é o caso de Eletrobras, por exemplo. Essa mesma gestora, quando foram divulgadas as condições para a renovação das concessões para a empresa, zerou sua exposição no papel, o que acabou protegendo seus fundos do tombo recente das ações.

O único consenso entre os gestores é a incerteza que paira sobre o mercado. “O investidor não gosta de insegurança. O marco regulatório está mudando e enquanto houver dúvidas e incertezas, as pessoas darão dois passos para trás”, diz Stoliar, da Studio. Para ele, o objetivo do governo, de reduzir o custo com energia elétrica, é nobre. Se, contudo, a medida afastar investimentos para o setor, pode faltar energia no futuro, fazendo o preço subir. “Aí o tiro sai pela culatra”, diz.

Nobres ou não, as medidas trouxeram um clima pesado para um mercado acionário já combalido. “A bolsa virou um campo minado”, resumiu José Carlos Carvalho, da Paineiras Investimentos, em palestra no seminário “Value Investing” na semana passada.

Por Luciana Seabra e Alessandra Bellotto | De São Paulo

Origem: Valor Econômico

Procedência: http://www.valor.com.br/financas/2916582/pacote-eletrico-impos-fundos-perdas-de-ate-17#ixzz2DKGmV7UN

http://www.valor.com.br/financas/2916376/sem-energia#ixzz2DKHmTv00

http://www.valor.com.br/financas/2916378/entre-oportunidade-e-aversao-total-ao-risco#ixzz2DKISj2Ti

Written by goppp

26/11/2012 às 09:16

Publicado em Empresas, Valor Econômico

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