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Elétricas terão grandes baixas nos balanços

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Isso porque os valores fixados para a indenização de seus ativos não depreciados ou amortizados são muito menores que os registrados como ativo financeiro ou imobilizado nos balanços. No caso da Eletrobras, a empresa esperava R$ 30 bilhões em indenização, mas terá direito a R$ 14 bilhões.

Apesar de questionar o montante, a estatal traça planos para se adaptar ao novo cenário, no qual prevê corte de R$ 8,5 bilhões na receita anual. Entre as medidas em estudo está a venda de participações em suas distribuidoras.

Por Fernando Torres, Claudia Facchini e Rodrigo Polito | De São Paulo e do Rio

Distribuidoras da Eletrobras podem ser negociadas

Apesar de questionar o valor apresentado pelo governo para a indenização e a tarifa para a renovação das concessões que vencem até 2017, a Eletrobras já traça planos para se adaptar ao novo cenário, no qual prevê um corte de R$ 8,5 bilhões na receita anual por conta das novas regras. Entre as medidas em estudo, está a venda de participação nas distribuidoras do grupo.

“Estamos melhorando muito a redução de perdas e de inadimplência [das distribuidoras]. Mas isso poderia ser feito numa velocidade maior. Num esquema societário um pouco diferente, a gente pode ter um resultado ainda melhor”, afirmou o presidente da companhia, José da Costa Carvalho Neto, ao Valor. “Estamos abrindo algumas hipóteses para apresentar ao nosso conselho de administração e aos nossos acionistas”, completou.

A venda das distribuidoras da Eletrobras é considerada um tabu, desde que o PT assumiu o governo federal, em 2003, e estancou o processo de privatizações no setor elétrico. A estatal possui seis distribuidoras, nos Estados do Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre, Piauí e Alagoas, conhecidas por terem indicadores operacionais e financeiros ruins, embora a holding tenha elevado recentemente o investimento nessas companhias. A Eletrobras também está em fase de conclusão da aquisição de 51% da distribuidora goiana Celg.

Segundo Carvalho Neto, a eventual negociação desses ativos é uma medida de médio e longo prazo para o novo contexto operacional da empresa. No curto prazo, o remédio será mesmo a redução agressiva dos custos. A expectativa da Eletrobras é que seja necessário um corte de 30% nos custos operacionais, para que a estatal continue operando no azul.

Nesse sentido, entre as ações previstas, estão cortes em contratos de publicidade e redução de contratação de serviços terceirizados. A companhia também está elaborando um programa de desligamento voluntário incentivado para os funcionários. Segundo o executivo, dos cerca de 28 mil empregados do grupo, 8 mil já estão em condições de se aposentar.

Embora o executivo não confirme, tudo indica que a Eletrobras aceitará renovar a concessão das usinas e linhas de transmissão que vencem até 2017, mesmo sob as condições impostas pelo governo na última semana. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a Eletrobras terá direito a indenização de R$ 14 bilhões, menos da metade dos R$ 31 bilhões esperados pela estatal. A companhia tem até 4 de dezembro para assinar a renovação dos contratos.

O presidente da Eletrobras afirmou que, mesmo nesse cenário desfavorável, a companhia não trabalha com a hipótese de rever o seu plano de investimentos para os próximos anos. A empresa prevê investir entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões por ano e manter sua participação de mercado de 35% na geração e 56% na transmissão.

Mas a Eletrobras ainda arriscará uma última cartada, a fim de elevar o valor das indenizações estabelecido pelo governo. Até quinta-feira, a companhia vai apresentar à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) cálculos que comprovem que ela tem direito a uma indenização maior do que a prevista na portaria divulgada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) na última semana.

“Estamos aprofundando instalação por instalação, mostrando isso com clareza, para ir aos órgãos que fizeram esses cálculos e confrontar os nossos cálculos com os deles. Tenho convicção que chegaremos a um bom termo”, disse o executivo. “O objetivo do governo de reduzir o custo da energia no Brasil é perfeito na essência. O que estamos vendo são alguns detalhes da dosagem”, completou.

A Eletrobras é a companhia mais afetada pelo processo de renovação das concessões. Ontem, no primeiro dia de negociação no mercado após a publicação da portaria do MME, as ações ON e PNB da Eletrobras recuaram 4,66% e 8,21%, respectivamente. No ano, as ações acumulam perdas de 32,61% e 37,44%, respectivamente.

Por Rodrigo Polito | Do Rio

Baixas contábeis serão bilionárias

Se quiserem renovar as concessões que vencem até 2017, as elétricas sujeitas à Medida Provisória 579 terão de efetuar baixas contábeis bilionárias, que consumirão as reservas de lucros, reduzirão o patrimônio líquido e poderão comprometer a distribuição de dividendos. Isso porque os valores calculados pelo governo para a indenização dos ativos não depreciados ou amortizados das hidrelétricas e linhas de transmissão são muito menores que aqueles registrados como ativo financeiro ou imobilizado nos balanços.

No caso da Eletrobras, a empresa acreditava que receberia R$ 30 bilhões em indenização, mas terá direito a R$ 14 bilhões. O analista do JP Morgan, Gabriel Salas, prevê que a estatal terá de realizar uma baixa contábil para cobrir essa diferença, de R$ 16 bilhões.

No caso da Cesp, o custo atribuído às usinas de Ilha Solteira e Três Irmãos era de R$ 7,8 bilhões no início de 2009. Mas a indenização prevista para essas usinas é só de R$ 1 bilhão. A Companhia de Transmissão Paulista (Cteep) registrava como ativos não amortizados R$ 6,87 bilhões ao fim de junho, mas sua indenização será de R$ 2,89 bilhões.

Ontem, as ações das elétricas voltaram a registrar fortes quedas. Os investidores reagiram mal à definição pelo governo dos valores indenizados e as tarifas que as concessionárias poderão cobrar para renovar seus contratos. Os termos foram publicados na quinta-feira, antes do feriado de Finados.

As ações da Eletrobras PNB fecharam ontem em baixa de 8,2%. Os papéis ON caíram 4,6%. Desde o dia 31 de agosto, a Eletrobras já perdeu R$ 3 bilhões em valor de mercado, que encolheu para R$ 16,1 bilhões. Os analistas do JP Morgan, Barclays e Credit Suisse acreditam que a estatal irá aceitar a renovação de suas concessões por pertencer à União.

Mas, para Salas, do JP Morgan, a Eletrobras será única. Crescem as expectativas entre os investidores que a Cesp, Cteep, Cemig e Copel optem por não assinar os contratos, o que deve ser feito no dia 4 de dezembro. “Nossos preços-alvos para as empresa já consideram que as companhias vão preferir não renovar as concessões”, escreveu o analista do Goldman Sachs.

As ações da Cesp PNB caíram ontem mais 5,8%. Em valor de mercado, a estatal paulista já perdeu R$ 4,4 bilhões desde o dia 31 de agosto, passando a valer R$ 5,6 bilhões. A Cemig, cujas ações PN recuaram ontem 2,8%, já perdeu R$ 7,7 bilhões em valor de mercado nos últimos dois meses, que encolheu para R$ 20,1 bilhões.

Por Fernando Torres e Claudia Facchini | De São Paulo

Setor elétrico sofre apagão na Bovespa

A volta do feriado prolongado foi marcada por correções na Bovespa, especialmente das ações de energia elétrica. Os investidores bateram pesado no setor, no primeiro pregão após o governo divulgar os valores de indenização que as empresas terão direito caso aceitem a proposta de antecipar o encerramento das concessões que vencem entre 2015 e 2017 e adotar um novo modelo de tarifas.

Lá fora, a segunda-feira foi de cautela, diante do quadro de empate na disputa presidencial americana, às vésperas da eleição. E o pregão de hoje não deve ser diferente, pelo menos até que se tenha notícias sobre a apuração dos votos. A semana ainda reserva indicadores econômicos da China, além da reunião do Partido Comunista para oficializar a sucessão no comando do país. O Ibovespa terminou acima da linha dos 58 mil pontos, mas com baixa de 0,30%.

A queda não foi maior graças a Petrobras PN (1,87%, a R$ 21,24, com o maior volume do dia, de R$ 467 milhões) que seguiu na contramão do mercado e das notícias. Segundo operadores, não houve rumores em torno do papel. Tudo indica que foi uma correção das baixas recentes, tendo em vista que a ação ON, a preferida dos estrangeiros, subiu 1,61%, a R$ 22,00, mas com volume bem menor, de R$ 89 milhões. “O volume do mercado está muito fraco. Qualquer investidor que entrar um pouco mais forte acaba mexendo com o papel”, explicou um operador.

De concreto sobre Petrobras apenas uma notícia negativa: a empresa teve uma decisão judicial desfavorável em primeira instância, que pode levá-la a perder R$ 4,78 bilhões, conforme estimativa divulgada pela própria companhia. O caso envolve a retenção de Imposto de Renda na fonte sobre remessas ao exterior feitas para pagamento de arrendamento de plataformas marítimas entre 1999 e 2002. A companhia, que não tem provisão para essa perda no balanço, por considerá-la apenas possível, e não provável, informou que cabe recurso e que confia na vitória de sua tese.

Entre as ações mais negociadas, Vale PNA recuou 0,64%, a R$ 26,93, Itaú Unibanco PN caiu 0,09%, a R$ 30,97 e OGX ON figurou entre as maiores baixas, com queda de 3,28%, a R$ 4,71.

O setor elétrico liderou, de longe, as perdas do dia: Eletrobras PNB (-8,21%), Cesp PNB (-5,75%), Eletrobras ON (-4,66%), Transmissão Paulista PN (-4,21%) e Cemig PN (-2,84%). O analista Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora, ressaltou que até a estatal Eletrobras, que costuma acatar as decisões políticas do governo, não concordou com o valor apresentado pelo Ministério de Minas e Energia. A empresa esperava ter uma indenização de aproximadamente R$ 30 bilhões pelas concessões. O governo, no entanto, considera pagar R$ 14 bilhões. Segundo ele, Eletrobras e Cesp foram as mais prejudicadas.

Outra ação que sofreu ontem foi Santander Unit (-1,72%). O Bank of America Merrill Lynch (BofA) rebaixou a recomendação do Santander de “neutro” para “underperform” (abaixo do mercado). Os analistas Jorg Friedemann, Marcus Fadul e Jose Barria já haviam antecipado um cenário desafiador para o Santander quando rebaixaram o papel para neutro em agosto. “No entanto, a pressão nas margens teve um impacto mais significativo do que o esperado, o que nos levou a rebaixar nossas estimativas”, afirmaram, em relatório.

Por Téo Takar e Aline Cury Zampieri | De São Paulo (Colaborou Rodrigo Polito)

 

Origem: Valor Econômico

Procedência: http://www.valor.com.br/empresas/2892774/eletricas-terao-grandes-baixas-nos-balancos#ixzz2BR4ClDwV

http://www.valor.com.br/empresas/2892596/distribuidoras-da-eletrobras-podem-ser-negociadas#ixzz2BR9MogXl

http://www.valor.com.br/empresas/2892606/baixas-contabeis-serao-bilionarias#ixzz2BR9ha7Fc

http://www.valor.com.br/financas/2892468/setor-eletrico-sofre-apagao-na-bovespa#ixzz2BRC6iJRp

Written by goppp

06/11/2012 às 08:30

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