goppp

Informações e notícias sobre colaborações público-privadas

Infraestrutura não atrai estrangeiros

leave a comment »

Para gestores, projetos do setor ainda oferecem retornos baixos; nem debêntures ou FIDC isentos de IR empolgam.

“Apesar de ter diminuído, Brasil ainda tem grande dependência de capital estrangeiro para financiar obras de infraestrutura. Não temos poupança interna” Paulo Leme, Presidente do Goldman Sachs no Brasil.

Apesar de ser o assunto do momento, investimentos em projetos de infraestrutura podem atrair menos dinheiro do que osR$ 130 bilhões estimados pelo governo federal. Nem a criação de títulos de investimento isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, inclusive estrangeiros, tem chamado a atenção.

Fernando Borges, diretor-geral no Brasil da americana  Carlyle — uma das maiores gestoras de private equity do mundo, que está no país desde 2008 — diz que por enquanto os retornos não são atraentes. A Carlyle irá investir em  infraestrutura apenas de forma indireta, como fez ao comprar uma fatia de 25% da Orguel, que presta serviços para o setor de óleo e gás. “Não participamos de concessões de aeroportos  orque os preços estão altos”, disse, durante evento sobre o setor de private banking promovido ontem pela Anbima, em São Paulo. Embora esteja disposto a pagar um “prêmio” por  negócios em setores de consumo e serviços, Borges lembra que projetos de infraestrutura tem prazo ainda maior de maturação do que outros setores onde seus fundos de private equity  investem.

As debêntures isentas de IR (para pessoas físicas nacionais e estrangeiras) também não empolgam os estrangeiros, segundo Brigitte Posch, vice-presidente executiva da Pimco  m Munique. A gestora global tem uma carteira de US$ 1,9 trilhão. “O produto seria excelente se fosse planejado de uma maneira correta para que os investidores internacionais  compreendessem seus riscos”, afirma. “Não basta pensar apenas na primeira emissão, e sim pensar em como esse título vai ser negociado no mercado secundário.”

Para Paulo Leme,  residente do Goldman Sachs, esse desinteresse é um problema: ainda que menor do que no passado, ele aponta a alta dependência de capital estrangeiro do setor de infraestrutura  brasileiro. “Não temos poupança suficiente para bancar toda a demanda desses projetos”, diz.

Em junho do ano passado, o governo aprovou a lei 12.431, que prevê benefícios fiscais para investidores nacionais e estrangeiros dispostos a aplicar em empreendimentos de longo prazo, por meio de debêntures. Para pessoas físicas que comprarem os papéis, está zerado  Imposto de Renda, cuja alíquota variava de 15% a 22%. No caso de pessoas jurídicas, que pagam 34%, a alíquota caiu a 15%. Os não residentes compradores desses títulos ficaram isentos.

Os mesmos benefícios das debêntures de infraestrutura serão estendidos aos fundos que tiverem em sua carteira esses títulos, desde que eles cumpram os requisitos de enquadramento, que são 67% do patrimônio líquido em debêntures nos primeiros dois anos, evoluindo para 85%. Só duas emissões em debêntures de infraestrutura isentas de IR saíram do papel: da CCR  Montes Claros. “

À medida que as emissões forem feitas, atrairão o investidor estrangeiro”, disse no evento Pablo Fonseca Pereira dos Santos, secretário adjunto de Políticas Microeconômicas do Ministério da Fazenda.

De acordo com ele, o governo já planeja estender os benefícios das debêntures de infraestrutura aos Fundos de Investimento em Direitos  reditórios (FIDCs) de infraestrutura – aplicação em que os recursos são destinados à compra de direitos de recebimentos. “Isso já está sendo estudado e está bem avançado, mas como o  FIDC é um pouco diferente, serão feitas adaptações”, afirma Santos, sem dar detalhes.

Mas Brigitte, da Pimco, afirma que é preciso entender quais os tipos de garantias estariam por trás  estes FIDCs e padronizar os documentos de emissão. “Os dois produtos – debêntures de FIDCs – são bons e positivos, mas é preciso simplificá- los para os estrangeiros.”

Para ela o Brasil,  e forma geral, está bem posicionado no mercado de títulos privados entre os emergentes – que soma US$ 1,1 trilhão, ante US$ 650 bilhões do mercado de dívida pública.

Flávia Furlan   Marília Almeida | financas@brasileconomico.com.br

Gestores apostam em consumo e serviços

Juros mais baixos e crise internacional fazem Goldman Pimco e Carlyle rever estratégia.

Fernando Borges, presidente da Carlyle no Brasil, disse durante o evento que, diante da crise internacional, está mais seletivo e privilegia alguns setores para investimento. “Não  investiríamos,por exemplo, em linha branca. Queremos aqueles onde a nova classe média pode gastar mais, como os segmentos de saúde e educação, bem como setores resilientes, como e viagens e brinquedos. O tíquete pode diminuir, mas o consumidor não deixa de adquirir estes produtos e serviços”, conta. Sobre se os preços dos ativos no país estão caros, Borges diz  que o fundo está disposto a pagar mais por boas oportunidades.

A vantagem do segmento, cita, é poder esperar o momento certo para a venda. “Não é um ano bom para venda, mas, sim, para compras”. Com o aumento da concorrência, Borges não descarta comprar ativos de outros fundos, como fez com a aquisição da administradora de planos de saúde Qualicorp por  S$ 1,2 bilhão. Para ficar com 100% do capital da companhia brasileira, o fundo adquiriu também as ações que estavam em poder da General Atlantic, acionista minoritária. “É um negócio  inda pouco explorado no Brasil”

Paulo Leme, presidente do Goldman Sachs no Brasil, afirma que o banco deve investir mais em empréstimos estruturados, emissões de títulos de renda fixa e derivativos, letras financeiras e certificados de recebíveis imobiliários.

Para ele, o mercado já reflete um movimento por maior rentabilidade provocado pelo novo patamar da Selic.  Os gestores estão buscando títulos com maior duração e prazos maiores, e instrumentos como letras financeiras, certificados de recebíveis imobiliários.”

O fluxo de recursos para  mercados emergentes continua aberto para empresas brasileiras, diz. “Devemos continuar vendo emissões de empresas brasileiras no exterior. Porém, com oscilações devido à  volatilidade do cenário mundial.”]

Entre os setores que considera atrativos no Brasil, Brigitte Posch, vice-presidente executiva da gestora Pimco em Munique, estão mineração — para o longo prazo, quando as empresas terão colchão para navegar na fragilidade da China; óleo e gás, pela visão de aumento de preço de commodities; e grandes bancos, que mantêm margens elevadas mesmo com queda de juro. ■

Origem: Brasil Econômico

Procedência: Brasil Econômico

Written by goppp

25/10/2012 às 14:20

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: