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(VE) Agência financia mais infraestrutura

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A presença das agências, antes concentrada em países com pouco acesso ao crédito tradicional, se disseminou e chegou a dobrar no período mais agudo da crise. Embora a situação de liquidez internacional tenha melhorado, os bancos devem encontrar cada vez mais dificuldades para financiar grandes obras por um prazo muito longo, em consequência da maior exigência de capital prevista nas normas de Basileia 3, prestes a entrar em vigor.

As agências já vêm se preparando para um aumento na demanda por recursos, em especial na América Latina, região historicamente carente de investimentos em infraestrutura. Apenas o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou no início do ano uma rodada de capitalização de US$ 70 bilhões.

No Banco Mundial, os desembolsos para projetos na América Latina saltaram de uma faixa entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões anuais para US$ 6 bilhões na fase mais aguda da crise financeira, de acordo com Sameh Naguib Wahba, coordenador da área de infraestrutura na instituição.

No Brasil, a atuação da instituição nos últimos anos tem se concentrado em Estados e municípios. Apesar de os impactos da crise terem sido relativamente menores no país, os desembolsos do Banco Mundial saltaram de uma média anual de US$ 1,2 bilhão para até US$ 2,5 bilhões em 2009, segundo Wahba. Neste ano, os empréstimos voltaram ao patamar histórico, mas o banco já trabalha em algum tipo de solução caso sejam necessários recursos adicionais, de acordo com o executivo.

Além dos organismos multilaterais, o espaço dos bancos na concessão de crédito à infraestrutura passou a ser ocupado pelas agências de financiamento à exportação de vários países. Diferentemente de BID e Banco Mundial, os chamados “Ex-Im Banks” condicionam a liberação de recursos à compra de equipamentos e serviços de seus países.

Durante a crise, vários governos enxergaram na atuação das agências uma forma de estimular as economias domésticas, e ampliaram sua atuação. Apenas o Ex-Im Bank dos Estados Unidos ampliou em 160% os desembolsos entre 2007 e 2011. No Brasil, o financiamento às exportações é realizado pelo BNDES.

O uso de fontes alternativas é fruto basicamente da restrição de crédito de longo prazo. Após a crise, os bancos comerciais têm enfrentado dificuldade em obter recursos nos prazos exigidos, independentemente de a obra estar localizada em um país com boa qualidade de crédito e da atratividade do projeto, segundo Vinicio Fonseca, diretor responsável pela área de financiamentos estruturados na Odebrecht.

A construtora é responsável por várias obras que contam com recursos ou garantia de agências multilaterais e órgãos de financiamento a exportações. O diretor da Odebrecht menciona a construção da rodovia Autopista del Coral, na República Dominicana, que contou com financiamento do Ex-Im Bank americano. Originalmente, a agência apenas garantiria um empréstimo bancário, mas acabou assumindo o repasse de recursos, segundo Fonseca.

A Odebrecht também atua na construção da linha 1 do metrô na Cidade do Panamá, uma obra de US$ 1,9 bilhão. O projeto contou com financiamento de pouco mais de US$ 600 milhões liderado pelo Citigroup. Os recursos foram liberados em duas tranches: a primeira, de US$ 360 milhões, foi garantida pela francesa Coface, e a segunda, no valor de US$ 250 milhões, contou com garantia da Miga, agência garantidora de investimentos do Banco Mundial.

Nos últimos 18 meses, o Citi fechou cerca de US$ 2 bilhões em financiamentos em infraestrutura com garantias de órgãos multilaterais ou agências de financiamento à exportação, segundo a responsável pela área global e nas Américas do banco, Ae Kyong Chung. “Os bancos que possuem recursos em dólar em geral estão em uma situação melhor, mas todo o sistema tem um grande desafio para contemplar financiamentos de longo prazo diante da implementação das regras de Basileia 3”, afirma. Diante desse cenário, as agências multilaterais têm contribuído para aliviar a pressão sobre os bancos, segundo a especialista do Citi.

Por Vinícius Pinheiro | De São Paulo

 

Origem: Valor Econômico

Procedência: http://www.valor.com.br/financas/2833048/agencia-financia-mais-infraestrutura#ixzz26pJ34osy

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