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(VE) Valor das elétricas na bolsa cai R$ 14 bilhões em um dia

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No dia seguinte ao pacote na área de energia, o pânico tomou conta dos investidores e tornou o pregão da Bovespa um dos piores já registrados pelas companhias do setor. As ações entraram em queda livre e alguns papéis, como as preferenciais da Cesp, chegaram a recuar quase 30%, encerrando o dia com perda de 27,5%. A Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) viu seu valor de mercado diminuir 24,1% em apenas um dia e a Cemig, 19,7%. O movimento contagiou papéis de empresas de outras áreas de infraestrutura, com os investidores temendo a extensão das intervenções do governo. Houve quedas significativas das ações de companhias como CCR, Sabesp e ALL. Em um dia, o valor das elétricas caiu R$ 14,5 bilhões.

As surpresas com as novas regras das concessões incentivaram o pessimismo. Cálculos preliminares do governo indicam que apenas dez usinas hidrelétricas de maior porte com concessões a vencer entre 2015 e 2017 não tiveram seus investimentos totalmente amortizados, o que pode limitar o pagamento de indenizações às concessionárias. E, do total a ser amortizado, 74% devem ser destinados à Chesf, subsidiária da Eletrobras.

A Cesp, ação mais castigada na bolsa, não terá praticamente nada a receber por sua maior usina, a de Ilha Solteira, que já teve 99,7% de seus investimentos amortizados, sorte quase idêntica à de Jupiá, que não tem mais nada a receber. O secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, reagiu com contrariedade, desqualificando os números. “Ilha Solteira vale uma Belo Monte”, disse.

O governo também surpreendeu as empresas de transmissão ao informar que as possíveis indenizações vão se restringir a equipamentos adquiridos após 31 de maio de 2000. Isso significa que tudo o que foi investido antes dessa data será considerado como conta liquidada.

Em teleconferência, o diretor financeiro da Cemig, Luiz Fernando Rolla, disse que a empresa prepara uma “força-tarefa” para convencer Congresso, governo e Agência Nacional de Energia Elétrica a alterarem pontos da Medida Provisório nº 579, que es-tabeleceu novas regras para a renovação das concessões. Em três semanas, a estatal mineira perdeu R$ 11,1 bilhões em valor de mercado, de R$ 31,2 bilhões para R$ 20,2 bilhões.

Por De São Paulo, Brasília e do Rio

Para o governo, só dez grandes hidrelétricas devem ter indenização

Apenas dez usinas hidrelétricas de maior porte – acima de 50 megawatts (MW) de potência instalada – com concessões vencendo entre 2015 e 2017 ainda não tiveram seus investimentos completamente amortizados, de acordo com cálculos preliminares do governo, o que pode limitar o pagamento de indenizações às atuais concessionárias para deixar as tarifas de energia mais baratas. Somente a Chesf, subsidiária da Eletrobras, pode ficar com 74% desses pagamentos.

As informações constam de levantamento feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pela PSR, consultoria do engenheiro Mário Veiga, que auxiliou o governo no desenho do pacote recém-anunciado pela presidente Dilma Rousseff. A usina de Xingó, no rio São Francisco, corresponde isoladamente a 54% do parque gerador que ainda não pôde amortizar todos os seus investimentos ao longo dos contratos vigentes. Ela pertence à Chesf e começou a funcionar em 1994.

O levantamento não cita valores, mas faz estimativas sobre a depreciação dessas usinas, com base em seus registros na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e no tempo de operação comercial delas. O retrato é desfavorável à estatal paulista Cesp, que o governo de São Paulo tenta privatizar há anos, sem sucesso.

Três usinas da empresa estão com suas concessões perto de expirar. A maior delas, Ilha Solteira (3.444 MW), já teve 99,7% de seus investimentos amortizados. Outra, a hidrelétrica de Jupiá (1.552 MW), não tem mais nada a receber. Só a menor usina, Três Irmãos (808 MW), se habilita à indenização. Ela teve até hoje, segundo a consultoria PSR, 68% de seus investimentos amortizados.

O cenário para a Cesp é diferente do traçado pelo secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, que já havia demonstrado preocupação com o cálculo dos ativos da empresa. Mas ele disse esperar, após o pacote anunciado anteontem, o reconhecimento de “bilhões de reais” pela União.

Questionado sobre as contas do governo, Aníbal reagiu com contrariedade. “Esses números não valem de nada. Temos os nossos, que não vamos revelar neste momento, mas são substancialmente diferentes”, disse. Ele ressaltou ainda que o cálculo da amortização do governo federal deve levar em conta o valor de construção de uma hidrelétrica e sua geração de energia. “Ilha Solteira vale uma Belo Monte”, comparou.

Esse novo panorama pode complicar uma eventual privatização da Cesp, conforme avalia reservadamente uma fonte do governo. Se renovar suas concessões com tarifas mais baixas, sem receber indenizações “bilionárias” em troca, a estatal tende a perder atratividade – as usinas com contratos prorrogados vão receber apenas pelos seus custos de operação e manutenção.

Uma autoridade do setor elétrico em Brasília, que pediu para não ser identificada, atribui a dificuldade em privatizar a Cesp hoje às decisões tomadas no passado. Nos anos 90, quando decidiu vender seus ativos na área de geração de energia elétrica, o governo de São Paulo dividiu a empresa em três. Conseguiu leiloar as usinas no rio Tietê (compradas pela AES) e no rio Paranapanema (adquiridas pela Duke Energy), mas ficou com as hidrelétricas no rio Paraná. “Possivelmente, se tivessem usado os recursos das privatizações para sanear as contas da Cesp, hoje ela estaria melhor e seria possível vendê-la”, avalia o funcionário do governo federal.

Para chegar aos valores finais das indenizações, o governo deverá levantar os custos para a construção de uma usina semelhante, a preços atuais. Estão sendo atualizados os custos de obras civis e de equipamentos, como turbinas.

Ao todo, 24 das 77 usinas – hidrelétricas e térmicas – com concessões expirando entre 2015 e 2017 ainda têm algum investimento para amortizar, mas só dez têm potência superior a 50 MW. A lista dos ativos “integralmente depreciados” abrange 53 empreendimentos e unidades como as hidrelétricas de Maribondo (de Furnas, com 1.440 MW, entre Minas Gerais e São Paulo), de Moxotó (da Chesf, com 400 MW, em Alagoas), de Três Marias (da Cemig, com 387 MW, em Minas Gerais), de Capivari/Cachoeira (da Copel, com 260 MW, no Paranpa), e de Jacuí (da CEEE, com 180 MW, no Rio Grande do Sul).

Na terça-feira, durante solenidade no Palácio do Planalto e em palestras de autoridades do setor elétrico com as empresas, o governo havia anunciado que as medidas para a prorrogação das concessões afetavam 20 contratos de geração. Na verdade, são 77 usinas com concessões vencendo entre 2015 e 2017. Os contratos de hidrelétricas poderão ser renovados por 30 anos; os de termelétricas, por mais 20 anos.

As atuais concessionárias têm até 30 dias, contados a partir de ontem, para apresentar formalmente seus pedidos de prorrogação à Aneel. O governo trabalha com a perspectiva de gastar cerca de dois meses para a elaboração dos novos contratos, permitindo que toda a redução das tarifas esteja vigorando a partir do dia 5 de fevereiro de 2013. É bastante provável que, para atender a esse cronograma, as empresas protocolem suas solicitações à Aneel sem saber se serão indenizadas ou não – e em quanto. Mas elas ainda poderão, mais adiante, desistir de assinar os contratos.

Se isso ocorrer, as atuais concessionárias poderão ficar à frente das usinas até o vencimento dos contratos, com a tarifa praticada atualmente. Só a partir do fim das concessões, entre 2015 e 2017, o governo faria licitação para substituir essas empresas.

Para terem seus contratos prorrogados, as hidrelétricas deverão receber uma tarifa perto de R$ 30 por megawatt-hora, menos da metade do preço de projetos de grande porte licitados recentemente. O leilão de Santo Antônio, no rio Madeira, ocorreu no fim de 2007 e o grupo vencedor ofereceu tarifa de R$ 78,90. Em 2010, a usina de Teles Pires foi arrematada com tarifa de R$ 58,36. Esses valores não embutem atualização pelo IPCA.

Por Daniel Rittner e André Borges | De Brasília (Colaborou Guilherme Soares Dias, de São Paulo)

Cemig vai recorrer ao Congresso contra MP

Em teleconferência com analistas realizada ontem à tarde, os gestores da Cemig deixaram claro que vão mobilizar as forças políticas no Congresso Nacional para alterar alguns pontos da Medida Provisório 579, que estabeleceu novas regras para a renovação das concessões do setor elétrico.

Controlada pelo Estado de Minas Gerais, a Cemig atua nos segmentos de geração, transmissão e distribuição de energia e foi uma das mais afetadas pelas medidas, ao lado da estatal paulista Cesp e da Companhia de Transmissão Paulista (Cteep), controlada pela estatal colombiana ISA.

Em três semanas, a estatal mineira perdeu R$ 11,1 bilhões em valor de mercado, que recuou de R$ 31,2 bilhões no dia 22 de agosto para R$ 20,2 bilhões. Apenas ontem, as ações despencaram 19,7%, para R$ 25,29.

Segundo o diretor financeiro da Cemig, Luiz Fernando Rolla, a companhia está preparando uma “força-tarefa” para sensibilizar o Congresso, o governo, o Ministério de Minas e Energia e os reguladores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A Cemig vai buscar o diálogo com o governo, afirmou o executivo. Mas, se esse caminho não surtir efeito, a empresa considera ir à Justiça. “Nossa estratégia será a de promover uma discussão ampla, que abrange o Congresso. Vamos explorar todas as alternativas”, disse Rolla.

A Cemig, segundo ele, acredita ter argumentos fortes e fundamentados para convencer o governo e os reguladores a alterar alguns aspectos da MP.

Uma das medidas que surpreenderam e desagradaram tanto a Cemig quanto os investidores foi a inclusão da hidrelétrica de São Simão na MP. Segundo Rolla, a Cemig considera que possui respaldo legal para renovar a concessão sem custo adicional. Isso porque essa será a primeira vez que o contrato da usina será renovado. “A mudança ofende o princípio da isonomia e abre caminho para contestação”, disse o executivo.

Mas um dos pontos que ainda renderá controvérsias e até mesmo ações da Justiça devem ser as indenizações às quais as empresas terão direito, para compensá-las por investimentos não amortizados.

Estudo feito pela Deloitte calcula em R$ 47 bilhões o valor da indenização devida pelo governo às empresas elétricas por ativos não amortizados nas concessões que terminam em 2015. Deste total, R$ 37 bilhões referem-se a ativos de geração e transmissão. A estimativa considera um grupo de 25 companhias, sendo 16 distribuidoras e nove geradoras e transmissoras.

Mas, de acordo com a consultoria PSR, as empresas teriam a receber muito pouco. Ao todo, a potência que estaria sujeita à indenização é de apenas 3,4 mil MW médios, para um total de 22 mil MW gerados pelas concessões que estão prestes a vencer. No caso da Cemig, só uma usina, a de Miranda, possui um percentual mais elevado de ativos ainda não totalmente depreciados, segundo a PSR.

As companhias terão 30 dias para decidir se vão renovar suas concessões. Os analistas tentaram fazer com que a Cemig desse alguma pista do que pretende fazer. “Você quer eu tome a decisão agora, mas ainda temos 30 dias”, afirmou Rolla, em tom de brincadeira, diante da ansiedade de um analista.

Segundo ele, a empresa fará tudo que for possível para preservar suas concessões, mas a decisão dependerá das margens que o governo vai permitir. “Não sabemos qual será a margem. Chegou-se a falar que não haveria remuneração nenhuma. Não sei como isso é possível”, criticou o executivo.

Alguns analistas estimam que a Cemig poderá perder mais de R$ 1 bilhão em receita ao ano. Mas a reação do mercado foi considerada exagerada pela companhia. “A Cemig não será impactada na magnitude que o mercado está imaginando”, disse Rolla.

A Aneel irá calcular o custo operacional e de manutenção de cada hidrelétrica cuja concessão poderá ser renovada. Por contrato, essas concessões vencem só entre 2015 e 2017, mas o governo quer antecipar o término para 2013. Para renová-las, as empresas precisarão aceitar preços bem inferiores, que poderão ser até 60% mais baixos que os atuais. Caso não aceitem os termos propostos, as empresas poderão manter suas concessões até o fim legal dos contratos, quando terão de revertê-las à União.

Ontem, a Cteep divulgou um comunicado, no qual também afirma que está avaliando as alternativas. “A companhia fará um pronunciamento sobre o real impacto em seu negócio somente após obter toda informação necessária para que suas equipes técnicas avaliem os efeitos sobre as suas atividades”, afirmou a empresa.

O governo acredita que as linhas de transmissão construídas até 1999 já estariam amortizadas. Isso quer dizer que as concessionárias não terão direito a receber indenizações. Segundo Rolla, na área de transmissão, a Cemig possui um status diferenciado. A empresa passou por revisões tarifárias e sua base de ativos foi homologada pela própria Aneel

Por Claudia Facchini e Fernando Torres | De São Paulo

Investidor vê risco político em ações

O risco político voltou a ser tema de discussão nas mesas de operações ontem. O pacote de medidas anunciado pelo governo federal na terça-feira para reduzir as tarifas de energia elétrica e com novas regras para renovação das concessões de usinas que vencem entre 2015 e 2017 provocou estragos no setor elétrico, com ações registrando queda histórica de quase 30%, conforme os investidores assimilavam as informações e os analistas refaziam as contas.

Mas a onda de vendas não ficou limitada às elétricas. Foram penalizadas empresas de saneamento – cujas concessões são estaduais – Sabesp (-6,58%), Copasa (-9,43%) e Sanepar (-10,62%); a administradora de portos Santos-Brasil (-11,71%); e as concessionárias de rodovias CCR (-8,75%), Ecorodovias (-3,71%) e OHL (-5,96%).

“As intervenções do governo, quase que constantes, geram um grau de incerteza muito grande, principalmente entre os estrangeiros. Na dúvida, o investidor sai vendendo”, afirmou o sócio-diretor da AZ Investimentos, Ricardo Zeno, ao resumir o sentimento do mercado em relação ao risco político de empresas de setores regulados. O “Financial Times” afirmou em seu site, ao comentar a forte queda das elétricas brasileiras, que os acionistas “foram rápidos em mostrar o que acham de ter seus contratos rasgados e reescritos”. Pelo tom do jornal britânico é possível perceber como foi a repercussão do pacote brasileiro lá fora.

O analista Alexandre Montes, da Lopes Filho & Associados, faz o contraponto, mostrando que a queda das ações de saneamento, por exemplo, foi um “tremendo exagero”. Ele acredita que um pânico irracional tomou conta do pregão ontem. “A chance de o setor de saneamento lidar com uma regulação extremamente dura como a anunciada para o setor elétrico é tão remota que não faz sentido neste momento”, afirmou.

Voltando às elétricas, Cesp PNB (-27,53%) liderou as perdas do Ibovespa, seguida por Transmissão Paulista PN (-24,06%), Cemig PN (-19,71%), Eletrobras PNB (-4,82%), Eletrobras ON (-4,72%), Light ON (-4,31%), Copel PNB (-4,12%) e Eletropaulo PN (-1,99%). Cemig PN marcou o segundo maior volume do dia, com R$ 863 milhões negociados, atrás apenas de Vale PNA (R$ 901 milhões).

A ação da companhia mineira registrou sua maior queda em 14 anos. Já Cesp e Transmissão Paulista nunca tinham caído tanto em apenas um pregão e acumulam perdas de 36% e 32,8% em setembro, respectivamente. Bancos e corretoras divulgaram diversos relatórios tentando mensurar os impactos das medidas. Para o Bradesco, o pacote “foi pior do que as piores expectativas”. No caso do Credit Suisse, a avaliação é que as medidas foram “de muito ruim para muito pior”.

Apesar de toda pressão, a bolsa brasileira se manteve em alta e encostou nos 60 mil pontos, ajudada pelas empresas que se beneficiaram da redução nas tarifas de energia, como Vale PNA (0,66%), Usiminas PNA (8,04%), Klabin PN (3,1%) e Braskem PNA (2,52%). O Ibovespa subiu 0,84%, para 59.921 pontos. O volume foi de R$ 10,599 bilhões, o maior do ano para um dia sem vencimento de opções. Entre as mais negociadas, Petrobras PN ganhou 1,24%, OGX ON avançou 2,0%, e Itaú PN registrou alta de 2,64%.

Por Téo Takar | De São Paulo (Colaboraram Aline Cury Zampieri e Beatriz Cutait)

 

Regras previstas em MP surpreendem setor de transmissão

As dúvidas que pairam sobre as empresas de transmissão de energia dão uma boa ideia da complexidade que envolverá a negociação entre governo federal e concessões, para fazer o acerto de contas de investimentos que ainda não foram amortizados pelo setor.

O governo surpreendeu as empresas donas de linhas de transmissão ao informar, ontem, que as possíveis indenizações que serão pagas pela União irão se restringir a equipamentos adquiridos somente após o dia 31 de maio de 2000. Isso significa que tudo o que foi investido por empresas de transmissão antes dessa data será considerado como conta liquidada.

A regra faz parte da Medida Provisória 579, publicada ontem no “Diário Oficial da União”. De acordo com a MP, os bens das empresas de transmissão existentes até maio de 2000, independentemente da vida útil remanescente do equipamento, “serão considerados totalmente amortizados pela receita auferida pelas concessionárias de transmissão, não sendo indenizados ou incluídos na receita”.

A decisão surpreendeu até a Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), que representa as companhias do setor. Perguntado por que o governo determinou a data de maio de 2000 como linha de corte para a amortização, o presidente da Abrate, José Claudio Cardoso, disse que “o setor ainda está tentando entender”.

“Tomamos conhecimento disso hoje. É uma situação delicada. Fizemos uma série de investimentos pesados em 1998 e 1999, que ainda não foram amortizados”, comentou Cardoso, sem dar mais detalhes.

Segundo o representante da Abrate, a prorrogação das concessões é uma bandeira defendida pela associação, mas ainda há uma série de dúvidas que precisam de esclarecimento. “Falta responder como serão indenizados os investimentos ainda não pagos. As empresas estão preocupadas e ainda estão analisando toda a situação.”

O governo deu 30 dias para que todas as companhias decidam se assinarão a prorrogação ou se simplesmente cumprirão o contrato até 2015, entregando a concessão para o governo. Ao todo, há nove contratos de concessão de linhas de transmissão com vencimento previsto para 2015.

Os contratos somam 85,3 mil km de linhas, equivalente a 66,9% do Sistema Interligado Nacional (SIN). Na esfera federal, as redes pertencem às empresas do Grupo Eletrobras: Furnas, Eletronorte, Chesf e Eletrosul. Nos Estados, estão em análise as contas da Cemig (MG), Celg (GO), Copel (PR), CEEE (RS), além da CTEEP, companhia privada que atua em São Paulo.

Por meio de nota encaminhada ao Valor, a CTEEP informou que tomou conhecimento do “direcionamento do governo brasileiro para a renovação do contrato de concessão 059/2001, que corresponde a aproximadamente a 80% da receita anual permitida (RAP) da companhia.

“A CTEEP fará uma análise das condições para avaliar o real impacto nos negócios da companhia”, informou a empresa. Sobre a prorrogação do contrato, a empresa declarou que “reafirma o seu interesse na continuidade da concessão, respeitando o compromisso de geração de valor aos acionistas e mantendo a qualidade na prestação do serviço para a sociedade.”

A decisão do governo de limitar as indenizações de linhas de transmissão a bens adquiridos a partir de 31 de maio de 2000 está relacionada a uma resolução (167) publicada naquela data pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Essa resolução estabelece parâmetros para as receitas anuais permitidas para as instalações de transmissão de energia elétrica, além do valor da tarifa para uso da rede básica do SIN e os encargos de conexão.

Para Cardoso, da Abrate, o setor ainda vai precisar de alguns dias para analisar cada detalhe do que está em jogo. “Todos estão fazendo contas, debruçados sobre essa MP. É preciso considerar os bens não amortizados que não se enquadram nessa definição do governo. Ainda há muita negociação pela frente.” (AB e DR)

De Brasília

 

Medida permite eliminar risco cambial de Itaipu

As mudanças promovidas pelo pacote do setor elétrico incluíram a possibilidade do governo excluir os riscos de variação cambial atrelados à compra da energia gerada pela hidrelétrica binacional de Itaipu. A medida provisória publicada ontem garante que os pagamentos realizados pela Eletrobras para compra de eletricidade de Itaipu não serão alterados. No entanto, a União poderá celebrar contratos com a Eletrobras – que atua como agente comercializador de energia com a usina – “com a finalidade de excluir os efeitos da variação cambial da tarifa”, desde que preservadas as atuais condições dos fluxos econômicos e financeiros da Eletrobras.

A energia gerada por Itaipu, que tem como sócio o governo do Paraguai, é negociada com a Eletrobras em dólar. Ao deixar de comprar por meio da moeda americana, a União vai se basear exclusivamente na moeda brasileira, evitando variações do preço entregue ao mercado. A usina binacional também será responsável pelo crédito de R$ 3,3 bilhões por ano que repassa ao Tesouro, pelos empréstimo feitos pelo governo brasileiro para a construção da usina.

Por De Brasília

 

Mercado livre teme recuo, mas Tolmasquim aposta em competição

 As medidas do governo para reduzir as contas de luz deixaram o mercado livre de energia, que representa 27% do consumo total de eletricidade do país, desnorteado. Com exceção da retirada dos encargos, praticamente toda a queda de tarifas será voltada para o mercado das distribuidoras, que têm consumidores residenciais e o pequeno comércio como clientes.

A maioria das indústrias e do comércio de grande porte (shopping centers e hipermercados) opera no mercado livre, no qual escolhe seus fornecedores de energia, além de negociar diretamente os preços e fechar contratos de longo prazo.

Associações do setor elétrico já falam, em caráter reservado, na possibilidade de que a participação do mercado livre no consumo total do país caia para algo em torno de 23%. Para essas entidades, é grande a chance de que consumidores industriais se sintam atraídos pelas novas tarifas e voltem a ser clientes das distribuidoras de suas áreas de atuação. No caso dos consumidores de alta tensão do segmento que abrange empresas de alumínio e siderúrgicas, a queda prometida pelo governo é de 28%.

“Os telefones estão tocando bastante. Todo mundo está querendo entender as medidas”, diz Paulo Toledo, sócio-diretor da Ecom Energia, uma das principais comercializadoras do país.

O governo assegura que não teve, como objetivo, enfraquecer o mercado livre. Para o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, a tendência é de aumento da competição com as distribuidoras. “A perspectiva é de que os preços no mercado livre também vão baixar. Só não dá para dizer o quanto isso pode demorar.”

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, é mais enfático: “A minha visão é de que o preço da energia, no mercado livre, vá cair na mesma medida”.

Tolmasquim observou que há “sobra” de energia, atualmente, no mercado. Isso cria um “ambiente propício” para que a queda se estenda também para os preços negociados livremente.

O requisito mínimo para entrar no mercado livre é ter uma demanda superior a 3 megawatts (MW). Se a demanda estiver entre 0,5 MW e 3 MW, a empresa pode tornar-se consumidora especial, comprando energia de fontes incentivadas, como usinas eólicas e pequenas centrais hidrelétricas. É esse pessoal que pode ficar mais propenso a voltar para o mercado cativo das distribuidoras, conforme avalia Toledo, da Ecom. “A maioria desses clientes começará a fazer as suas contas.”

A maior preocupação de Toledo é com a viabilidade de novos empreendimentos – eólicas, de biomassa e PCHs – que já não conseguiam vender sua energia nos leilões do governo, mas montavam uma equação capaz de tirar o projeto do papel, negociando a eletricidade diretamente no mercado livre. Para isso, precisavam de uma tarifa em torno de R$ 135 a R$ 140 por megawatt-hora, o que os deixavam competitivos na comparação com as tarifas de distribuidoras.

Toledo garante que, apesar das margens apertadas com que trabalham, as comercializadoras de energia podem se ver forçadas a diminuir preços. A parte principal, no entanto, cabe às geradoras. “Nós, mais do que ninguém, temos interesse em não perder negócios”, afirma. Para ele, os rumos do mercado livre não estão claros, após a MP publicada ontem. Mas a avaliação é de que sua atratividade “continua a mesma”, até porque há outras supostas “vantagens” além do preço, como maior previsibilidade na gestão dos contratos de longo prazo. (DR)

Por De Brasília

 

Origem: Valor Econômico

Procedência: http://www.valor.com.br/brasil/2827762/valor-das-eletricas-na-bolsa-cai-r-14-bilhoes-em-um-dia#ixzz26LdKVYwp

http://www.valor.com.br/brasil/2827638/para-o-governo-so-dez-grandes-hidreletricas-devem-ter-indenizacao#ixzz26LgF2Ero

http://www.valor.com.br/brasil/2827738/cemig-vai-recorrer-ao-congresso-contra-mp#ixzz26LsMq8Zb

http://www.valor.com.br/financas/2827478/investidor-ve-risco-politico-em-acoes#ixzz26Lt0v8Lp

http://www.valor.com.br/brasil/2827642/regras-previstas-em-mp-surpreendem-setor-de-transmissao#ixzz26LuFqQFD

http://www.valor.com.br/brasil/2827646/medida-permite-eliminar-risco-cambial-de-itaipu#ixzz26LufrUI7

http://www.valor.com.br/brasil/2827644/mercado-livre-teme-recuo-mas-tolmasquim-aposta-em-competicao#ixzz26LuvCPBu

Written by goppp

13/09/2012 às 09:28

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